11 de maio de 2019

A Indústria 4.0 a todo “vapor”

O aspecto verdadeiramente revolucionário da revolução digital é a velocidade com que está ocorrendo: foram necessários quase 100 anos até que 100 milhões de pessoas tivessem uma conexão telefônica. Com os telefones celulares, levou apenas 16 anos. E com o WhatsApp, levou apenas dois anos até que 100 milhões de pessoas usassem essa nova forma de comunicação.

No Brasil, estamos observando a revolução digital se desdobrar na forma de um boom notável no acesso à Internet. Em recente levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Internet já chega a 75% dos domicílios brasileiros e a 126 milhões de usuários no país.

Sem dúvida, a revolução digital é, de muitas formas, uma revolução econômica que promete revitalizar mercados e setores chaves de maneiras sem precedentes. As “fábricas do futuro”, totalmente digitalizadas, funcionarão com robôs colaborativos, trabalhando de mãos dadas com seres humanos e sistemas inteligentes, analisando e avaliando enormes volumes de dados, fazendo uso de big data e inteligência artificial, da robótica avançada, dispositivos de realidade aumentada, simulações em ambiente virtual, segurança cibernética e “internet das coisas”, para conectar máquinas a redes de computadores. Assim, os fabricantes não dependem mais de amostragens aleatórias e inspeções manuais demoradas, mas podem verificar cada produto individualmente, em tempo real e sem perda de tempo.

Além da tendência de produção cada vez mais individualizada, os ciclos dos produtos também estão ficando mais curtos. Para os fabricantes, isso significa que eles terão que se adaptar continuamente e otimizar seus processos de produção e montagem no futuro. Para se manterem competitivos, eles precisarão ter manufaturas flexíveis, equipes ágeis e ferramentas que possam ser continuamente reconfiguradas. Sem digitalização, essa constante cascata de novos desafios simplesmente não seria administrável.

As novas tecnologias nos permitem não apenas fabricar de maneira mais eficiente, mas também melhorar a qualidade de nossos processos e produtos. Máquinas de tingimento digital a jato de última geração, por exemplo, são conectadas a sistemas analíticos baseados em nuvem que nos permitem, pela primeira vez, controlar e otimizar um processo de pintura, não depois, mas durante o processo. Isso reduz o consumo de tinta e as emissões em até 25%, otimiza a fidelidade de cores e a aplicação, e elimina o retrabalho caro e demorado.

Até 2050, segundo analistas, serão mais de 50 bilhões de conexões em todo o setor industrial. Podemos realmente experimentar como humanos, máquinas, produtos, sistemas e serviços se comunicam diretamente e cada vez mais rápido, aprendem uns com os outros e transmitem seus conhecimentos.

Com isso em mente, precisamos garantir que a transformação seja projetada de modo que todos se beneficiem dela. Para fazer isso, o governo e a indústria devem trabalhar juntos de maneira estreita e eficiente em prol de uma melhor infraestrura, como, por exemplo, internet rápida e mais barata, bem como oferecer programas educacionais e de treinamento que possibilitem ao maior número possível de pessoas utilizar as novas tecnologias.

Por Rafael Paniagua, Presidente da ABB no Brasil

Fonte:

ABB